E aí? Você já terceirizou para a IA a decisão pelas suas compras online?
A Rakuten Advertising realizou uma pesquise recentemente e os resultados foram bem interessantes:
Desaceleração Geral: O percentual de consumidores que declararam não utilizar IA de forma alguma para apoiar suas decisões de compras subiu de 24,7% para 30,1%.
Grande Queda Entre os Jovens: Entre a faixa de 26 a 35 anos, a adesão ao uso de inteligência artificial em compras despencou 17 pontos percentuais. Os mais jovens, historicamente os primeiros a adotar novidades, estão recuando no uso automatizado direto.
Exceção de Alta Renda: Na contramão, a adoção de IA para decisões de consumo alcança impressionantes 86% entre consumidores com renda anual acima de R$ 750 mil. O motivo? Segundo a pesquisa, esse grupo tem uma maior Valorização do tempo útil e otimização para tomadas de decisão altamente complexas.
Retorno à Validação Humana: O consumidor percebeu que as IAs podem "alucinar" ou esconder conflitos de interesse comerciais (recomendações pagas disfarçadas de respostas neutras).
Os sites de marcas, fabricantes e reviews independentes despontaram como o único canal de verificação que se manteve totalmente estável e relevante.
Cerca de 54,9% dos consumidores afirmam que recorrem a canais externos e sites próprios para cruzar dados e checar informações após receberem uma recomendação feita por IA.
A Mudança na Busca (GEO): Entre os chamados power users (consumidores avançados de IA), 70,2% já afirmam ignorar mecanismos de busca tradicionais na hora de decidir uma compra. Eles usam IA, mas exigem links diretos e transparentes nas respostas (o que a pesquisa aponta que 82,1% já reparam).
Uns vídeos atrás eu comentei essa questão, que já foi lançada pelo Google nos EUA, em que você pede para o Google comprar um produto para você, e toda a parte racional da compra ser executada por ele, e ao usuário, ao humano, fica a parte emocional da escolha. E a minha questão é: A IA vai indicar para você realmente a melhor opção, ou a que paga melhor? Lembrando que todas as IAs têm donos, e esses donos querem lucro. Como eles ganharão dinheiro e de forma escalável?
E as lojas? Não se preocuparão mais com os consumidores? As lojas terão que trabalhar para agradar a IA? Não é um tanto louco isso?
Não ficarei surpreso se as pessoas voltarem a utilizar as buscas normais, e que a grande solução seja ser um meio termo, uma forma híbrida com busca e IA.
Pedro Américo Laragnoit Sampaio é Sócio Fundador da MKTEAM